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Que compromissos(s)

para a Educação?

Por José Manuel Alho

A notícia do lançamento do DVD Musical sob a temática “Cancioneiro Popular Português – Um Tesouro a Descobrir”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha (AEAAV) em parceria com a editora Clave de Soft, conjugada com a abertura do Canalb, canal de TV para a web do mesmo AEAAV, evidenciam, à escala, a entrega e o comprometimento da esmagadora maioria dos professores portugueses com o serviço público de educação.

Um pouco por todo o país brotam réplicas, mais ou menos ambiciosas, do arrojo e empreendedorismo que a escola pública vem patrocinando e dinamizando em condições há muito adversas. Infelizmente, este é tempo em que os professores se tornaram o alvo preferencial de uma certa opinião publicada que recorre a um discurso amesquinhador para os apoucar e desprestigiar com insolente populismo.

"Ainda que interesse a um punhado de baixifalantes a erosão programada da classe docente, os danos geracionais causados por estas campanhas, usualmente assentes em dados ou factos martelados, são irreparáveis. Ser Professor não é fácil. O Estado e a sociedade olham para a Escola e obrigam-na a curar todos os problemas sociais que os governos não querem ou não sabem resolver.

Em consequência, importa lembrar a sondagem mundial realizada para o Fórum Económico Mundial. Segundo aquele estudo, os professores são a profissão em que os portugueses mais confiam e também aquela a quem confiariam mais poder no país. Curiosamente, os políticos – responsáveis maiores pelo despautério reinante - são os que menos têm a confiança dos portugueses. Saliente-se ainda que a confiança dos cidadãos lusos por profissões não se afasta dos resultados médios para a Europa Ocidental.

Ainda que interesse a um punhado de baixifalantes a erosão programada da classe docente, os danos geracionais causados por estas campanhas, usualmente assentes em dados ou factos martelados, são irreparáveis. Ser Professor não é fácil. O Estado e a sociedade olham para a Escola e obrigam-na a curar todos os problemas sociais que os governos não querem ou não sabem resolver. Entregues à sua sorte, sem o devido enquadramento, os docentes sentem sobre os seus ombros o pesado fardo responsabilidade que lhes é assacada pelo Estado e pelas famílias. Consumidos por uma tormentosa solidão profissional, encerrados nas quatro paredes da sala de aula onde trabalham, quantas vezes em condições inenarráveis, os docentes precocemente atingem perigosos estádios de frustração, de desilusão e desmotivação.

Daí que, mesmo em tempos de crise, devesse exigir-se aos governantes medidas concretas de combate ao excesso de burocracia, à falta de reconhecimento da profissão e às constantes alterações legislativas que têm contribuído para uma diminuição da realização profissional da classe docente.

Em resumo, afigura-se de crucial importância exortar a sociedade »lato sensu» a repensar  as suas atitudes com estes profissionais pois é através delas que a coletividade revelará o compromisso com a Educação que pretende.

José Manuel Alho

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